Sustentabilidade: Como acabar com o desperdício de alimentos?

Gosto muito de falar sobre sustentabilidade, pois sei que se cada um de nós fizer a sua parte o mundo pode ser melhor. Uma atitude pouco sustentável e que não é muito discutida é o desperdício de alimentos. Não falo apenas do resto de comida dos pratos, mas sim daquele desperdício que começa lá no produtor, passa pelo transporte, chega às prateleiras do supermercado e depois à sua casa. Em todo o caminho do alimento há desperdícios.

alimentos no lixo

Você sabia que por ano, uma a cada três toneladas da comida produzida mundialmente é perdida ou desperdiçada, o equivalente a 1,3 bilhão de toneladas/ano. E que não há diferenças entre Países ricos e pobres, pois eles desperdiçam na mesma proporção, mas de forma diferente: nos subdesenvolvidos, cerca de 40% é perdido na colheita e transporte, já nos países desenvolvidos o mesmo percentual é desperdiçado no consumo.

No Brasil, a estimativa é que desperdiçamos o equivalente a 39 mil toneladas por dia, quantidade suficiente para alimentar 19 milhões de brasileiros com as três refeições básicas. Esta perda de comida significa desperdício de outros recursos, como água, terra, energia, mão de obra e capital, sem contar a emissão de gases de efeito estufa. Mas o que podemos fazer para que isso mude? Devemos nós, simples mortais, fazer a nossa parte e contribuir com o nosso planeta. Devemos espalhar essa ideia e compartilhar com amigos e parentes. Veja algumas atitudes que podem ser tomadas:

Dicas para evitar o desperdício em casa

  • Compre por peso: Quando o produto é vendido por peso, você pode comprar exatamente o que precisa.
  • Tente planejar o cardápio: Com o planejamento semanal das refeições, fica mais fácil mapear os alimentos que vai precisar. Na hora de sair às compras, é só levar a lista do cardápio. Dessa forma, você só vai comprar os produtos para fins específicos, em vez de simplesmente pegar as coisas das prateleiras.
  • Não compre por impulso: A variedade de opções em um supermercado costuma chamar atenção e aumentar o desejo de adquirir, especialmente quando falamos em “promoções”. Cuidado! É importante pensar se, de fato, você precisa do produto.
  • Vá às compras com mais frequência: Ir mais vezes ao supermercado pode soar como mais trabalho. Porém, comprar semanalmente permite que os perecíveis sejam adquiridos com mais frequência, diminuindo a possibilidade de perda.
  • Reaproveite as sobras do almoço: Sobrou comida do almoço? Então nada de jogar fora. Aproveite o que restou na janta e evite o desperdício. 
  • Compre a granel: Em vez de comprar alimentos em embalagens padronizadas, experimente comprar somente a quantidade que você precisa. Além de evitar as embalagens descartáveis, você reduz o desperdício ao levar para casa apenas o que vai usar.
  • Cozinhe em quantidade e congele: Separe um dia para preparar várias refeições para todo o mês ou a semana. Depois basta guardar no freezer e reaquecer no dia de consumi-la. Essa prática ajuda a economizar ingredientes e energia.
  • Use a data de validade como critério: Fique atento aos rótulos para saber a procedência, composição e, o mais importante, a data de validade. Assim é possível evitar a compra de produtos que não serão consumidos antes do vencimento e terão como destino o lixo.
  • Aproveite todas as partes dos alimentos: Na hora de preparar as refeições, nada de jogar cascas, sementes e bagaços fora. Todas as partes de frutas, verduras e legumes podem ser aproveitadas e são fontes de vitaminas, minerais e outros nutrientes fundamentais para nossa saúde.

Dicas para evitar o desperdício na produção:

1- É preciso ter controle de doenças de forma adequada, sem o uso de agentes nocivos ao ser humano;
2- Uso da agroecologia (orgânicos) e produção integrada, com utilização racional de  compostos químicos para o controle de pragas e doenças;
3- Melhoria no tratamento pré e pós-produto, como frutas e hortaliças;
4- Adequação do ponto de colheita em relação ao mercado consumidor. Se você tem um mercado próximo, pode deixar o produto mais tempo no campo, mas se o mercado for distante terá de colhê-lo antes de maduro, para que aguente o trajeto;
5- Utilização da embalagem adequada à manutenção da qualidade do produto. Isso deveria ser definido por todos os agentes de comercialização. Produtores, atacadistas e varejistas deveriam trabalhar juntos nesse sentido;
6- Reeducação e treinamento de todo o pessoal envolvido, desde o campo até a pós-colheita, visando à melhoria da manipulação e a movimentação de cargas;

7- Padronização, seleção e classificação dos produtos, que atendam as necessidades do mercado. Muitas vezes o produto precisa ter determinado tamanho, calibre, além de determinada forma e cor.