Boogie Oogie: Acredite, isso foi moda nos anos 1970

A moda dos anos 1970 marcaram época com sua ousadia, cores e diferenças, que podemos ver hoje na novela das seis "Boogie Oogie". Movimentos diferentes dividiam opiniões e as ruas do país, como por exemplo: os hippies, com suas calças largas e roupas artesanais; a moda discoteca, com a calça justa, meias lurex, muito brilho e cores; e para completar calças jeans surradas, jaquetas de couro, coturnos e acessórios com spikes do movimento Punk.


"Vale ressaltar que a década de 1970 foi o período da grande democratização, em diversas áreas sociais e políticas, inclusive na moda. O que a primeira vista parecia uma revolução no estilo, rapidamente se tornava viral como as boca-de-sino que romperam com a separação entre classes, idades e gêneros", informa Astrid Façanha, professora de Design de Moda do Centro Universitário Senac.

A estilista Maria Zeli cita algumas peças que eram mais populares nos anos 70: "A liberdade de vestimenta era grande. A busca pelo ser diferente também, mas as peças que de fato mais caíram no gosto popular foram os sapatos plataforma, as roupas largas tipo indianas ou artesanais como batas, saias, pantalonas, a calça boca de sino e as camisas com estampas florais e psicodélicas". Algumas peças fazem sucesso até hoje, ou de tempos em tempos voltam às passarelas, como é o caso da calça flare, remodelagem da famosa calça boca de sino. "Já o movimento punk, por ser contrastante com a moda vigente e por vezes apresentar elementos contestadores ou ofensivos aos valores aceitos, não se encaixava muito na época, mas era respeitado da mesma forma", complementa a estilista.

Conheça algumas peças que fizeram parte desta época e que personagens ficaram marcados por vesti-las:

Calça boca de sino ou pata de elefante
"Na era da discoteca nada melhor do que uma roupa que facilitasse o movimento. A moda da calça boca de sino imperou até a chegada da década de 80, que veio com uma pegada mais futurista. A peça voltou com força total nesta temporada nas diversas coleções 2013/2014 e tudo indica que desta vez ela veio pra ficar", afirma a estilista Maria Zeli. No verão de 2013, as calças boca de sino ganharam um novo nome e uma repaginada e agora são chamadas de calças flare. Personalidades como a atriz Farra Fawcet, John Travolta, com o filme "Embalos de Sábado à Noite" e o cantor Jimi Hendrix, davam um charme a esta peça nos anos 70. Victoria Beckham, Stella McCartney e Katie Holmes usam a peça para alongar as pernas.

Lurex
Na moda discoteca, as meias de lurex usadas com sandálias e vestidos de poliéster faziam o maior sucesso como nos exemplifica Maria Zeli: "A atriz Sônia Braga, ficou marcada por suas sandálias vermelhas e meias de lurex em Dancing days". O tecido de lã brilhoso voltou as passarelas e ruas do Brasil por várias vezes, não apenas em meias, mas também em saias, leggings, blusas e vestidos. A modelo Alessandra Ambrósio investiu no tecido para um evento em dezembro de 2013. O lurex também apareceu nos principais desfiles internacionais, no Ready-to-Wear da Lanvin e na Alta Costura da Armani.

Bata indiana
"Os hippies da década de 1970 trouxeram um perfume étnico que refletia o fascínio por culturas distantes e preservadas do modelo de sistema político e econômico ocidental. A bata com raízes no sul e sudeste asiático pegou com tudo por trazer alguns valores da época, como o conforto e a valorização do artesanal e cultural", comenta Astrid Façanha. E ela complementa: "nos anos 2000, as batas voltaram com tudo. Hoje em dia, já estão assimiladas no cotidiano, como alternativa para o clássico combinado calça-e-blusa". Esteve presente no figurino da musa de Woody Allen, Diane Keaton. Nos dias de hoje podemos ver homens, como o ator Reynaldo Gianecchini usando as batas com muito charme e beleza. Com ou sem inspiração indiana, a cantora Florence Welch, da banda 'Florence and the Machine', aposta na peça para compor looks vintage.

Macacão
O maiô com que a cantora Beyoncé exibe o seu corpo nos palcos, também nasceu nos anos 1970. Na época foi muito valorizado por ser unissex. "Com a onda do jazz e da dança moderna que migrou para os discos, veio a versão leotard ou body, colada no corpo, isso marcou como figurino cênico do personagem Ziggy Stardust, criado pelo cantor David Bowie", explica Astrid Façanha. Emma Stone, Carey Mulligan e Miley Cyrus apostaram em versões modernas para fugir dos vestidos em red carpets.

Hot Pants
"Surgiu na segunda metade da década de 1970, com a era disco e a onda jazz/dança moderna. Sexy, atrevida, pode-se dizer que é uma das peças mais ousadas de todos os tempos", relata a professora Astrid Façanha e complementa: "Os hot pants, ainda bem, ficaram restrito às academias de dança e discos, quando usados com meia de lurex e plataforma. Porém, hoje em dia, ganhou um status high-low. Tanto pode ser visto nas "periguetes", dos bairros das periferias quanto em versões chiques para as coleções resorts". Na novela Amor à Vida, é bastante usado pela personagem Valdirene (Tatá Werneck). Solange Knowles, Kesha e Jessie J usaram hot pants em shows e eventos.

Wrap-dress ou vestido-camisa
Prático, surgiu em diversas versões, do estruturado (reproduzindo a forma e modelagem da camisa masculina) ao desestruturado (que mais lembra uma blusa feminina até os joelhos). Pode-se dizer que o wrap-dress criado pela estilista Diane Von Fusteberg é um ícone do luxo, porém, versões mais baratas do fast fashion também são apreciados pela classe C. A classe média parece os ignorar. Já o vestido camisa feito na alfaiataria, para a mesma classe média, este nunca sai de moda. O mais impressionante é que no início dos anos 2000 o wrap-dress de DVF voltou com o mesmo glamour de sempre, um "clássico" que continua sendo lançado. Foi muito utilizado por Bianca Jagger, primeira mulher do Mick Jagger. Também foi destaque no guarda roupa de Aracy Balabanian no início de sua carreira. Susan Saradon, Kat Dennings e Bella Thorne provam que a peça fica bem em qualquer idade.